por Maycon Saviole (01/07/2025)

Sou do Varjão.
Vargem Grande, Várzea pra uns,
mas pra mim é raiz,
é chão batido que moldou meus passos
e os sonhos que ainda carrego no peito.

Um recanto do Cônego,
aos pés da pedra da Pirâmide,
com o Chapéu da Bruxa vigiando lá de cima,
testemunha dos meus silêncios
e das histórias que vivi.

Ali, entre porcos e plantações,
cresci carregando lavagem numa bicicleta velha,
enquanto outros garotos iam jogar bola
na quadra do GPH ou no campo do Santa Luzia.
E eu?
Eu vendia verdura da roça do Seu Zé Gomes,
fruta fresquinha do sítio da minha avó,
das jabuticabeiras da tia Laurene,
com sol nas costas e esperança no rosto.

Na Rua Aurora Silveira,
a maior de Friburgo,
tinham as vendas típicas,
o bar do Ananias, o do João Luiz,
e gente de fibra como o Sr. Emídio e o Zé Américo,
que como meu pai,
criavam porcos e criavam filhos,
com suor, muito trabalho e dignidade.

Era um tempo de mãos calejadas,
mas também de corações inteiros.
Gente boa do Varjão,
que comprava meus produtos
não só pela qualidade,
mas por acreditar no menino que eu era.

Nem toda lembrança é doce,
mas toda memória é minha.
E o que o Varjão plantou em mim,
ninguém me tira:
força, inventividade,
respeito às origens e um amor sem medida
por tudo que é simples e verdadeiro.

Sou do Varjão.
E por mais que a vida me leve longe,
é desse pedaço de mundo
que minha história nasceu.
É deste pedaço do mundo que vem,
quem hoje sou eu.

Deixe um comentário

Tendência